quinta-feira, 28 de julho de 2011

Telescópio espacial flagra buraco negro em ação


 28/07/2011 06h00 - Atualizado em 28/07/2011 09h22

Telescópio espacial flagra buraco negro em ação

Imagem ajuda a entender comportamento do corpo celeste.
Buraco negro está em galáxia a 32 milhões de anos-luz da Terra.

Do G1, em São Paulo



O Telescópio Espacial Chandra fez a primeira imagem em raios-X de gás cósmico sendo absorvido por um buraco negro. A fotografia ajuda astrônomos a entender o crescimento e o comportamento dos buracos negros, segundo a agência espacial americana (Nasa).
O buraco negro estudado fica no centro de uma grande galáxia a 32 milhões de anos-luz da Terra, conhecida como NGC 3115.
Estudos anteriores já tinham mostrados material sendo sugado pelo buraco, mas nunca antes uma imagem tinha deixado tão claro que se tratava de gás quente. Isso empolga os cientistas porque ajuda a medir o tamanho do buraco negro: ele tem uma massa cerca de dois milhões de vezes maior do que o nosso Sol.
Imagem detalha o buraco negro no centro da galáxia NGC 3115 (Foto: NASA/CXC/Univ. of Alabama/K. Wong et al; Optical: ESO/VLT)Imagem detalha o buraco negro no centro da galáxia NGC 3115 (Foto: NASA/CXC/Univ. of Alabama/K. Wong et al; Optical: ESO/VLT)

quarta-feira, 29 de junho de 2011

A física e o nosso corpo

Temperatura do corpo durante atividades físicas
Publicado em: 11 Mar 2009
Atualizado em: 11 Mar 2009
Fonte: http://commons.wikimedia.org/wiki/File:Fullbody_03.jpg
O ser humano é homeotérmico, isto é, possui a capacidade de manter a temperatura corporal dentro de uma faixa razoavelmente estreita – em torno de 36,5 °C –, apesar das variações térmicas do ambiente. O equilíbrio térmico é conseguido por meio do balanço entre a perda e a produção ou aquisição de calor.
Parte da energia liberada pelo funcionamento normal dos órgãos internos e pelos músculos durante a atividade física é energia térmica (calor). Uma pessoa em repouso libera a cada segundo uma quantidade de calor correspondente a cerca de 90 joules. Ao se praticar exercícios, a velocidade de produção de calor pelos músculos aumenta em função da intensidade do exercício e torna-se, transitoriamente, maior que a velocidade de dissipação dessa energia.
O primeiro meio utilizado para remover esse excesso de calor dos músculos é a sua transferência, por condução, para o sangue. Desta maneira, grande parte dessa energia térmica é transferida para o resto do organismo pela circulação. Quando isso ocorre, a temperatura interna como um todo começa a se elevar, desencadeando reflexos fisiológicos que promovem um aumento da transferência do calor interno para a pele e desta para o meio ambiente.
Estando o ambiente externo a uma temperatura mais baixa que a temperatura corporal, há três mecanismos básicos pelos quais se dá a perda de calor para o ambiente: condução, irradiação e, caso a temperatura da pele atinja 37,0 °C, a transpiração.
A transpiração faz uso do alto calor de vaporização da água (580 cal/g a 37°C) para retirar quantidades apreciáveis de calor do corpo – o calor latente de vaporização da água é 540 cal/g no ponto de ebulição, mas a temperaturas mais baixas ele é significativamente maior, dado que as energias de ligação entre as moléculas de água são maiores nessas condições.
A fim de analisar a evolução da temperatura corporal durante atividades físicas, alunas da 3ª série do ensino médio do Colégio de Aplicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro, CAp-UFRJ, fizeram uma série de exercícios e, usando um termômetro digital desenvolvido por elas e um programa específico de computador, mediram suas temperaturas praticamente a cada instante. Com um freqüencímetro comercial posto na altura do peito, os batimentos cardíacos das estudantes também foram medidos. Dos dados obtidos, elas traçaram gráficos que ilustram o comportamento regulatório do corpo.
Os resultados mostraram que a temperatura começa estável e aumenta progressivamente à medida que a atividade física vai ficando mais intensa. A fase em que os exercícios são mais pesados corresponde à temperatura mais alta alcançada, em torno de 37,5 °C – devido à transpiração, a temperatura se estabiliza neste patamar mesmo com a continuação da atividade.
O monitoramento da freqüência cardíaca no mesmo período mostra uma repetição do comportamento observado para a temperatura, com algumas pequenas diferenças. No começo dos exercícios quase não há variação na freqüência cardíaca, mas quando o ritmo da atividade acelera, os batimentos sobem bastante.
Nos gráficos apresentados pelo grupo, fica bem nítida a correlação entre temperatura e freqüência cardíaca. Quando os batimentos estão baixos (entre 80 e 100 batimentos por minuto) a temperatura não varia nem um grau Celsius, pois quase não há mudanças na freqüência. Já quando há um aumento grande da freqüência, a temperatura também fica muito mais alta.
Para conhecer melhor os processos de dissipação de calor pelo corpo humano e ver os detalhes do procedimento e dos resultados do experimento feito pelas estudantes, leia o artigo “Como o corpo humano mantém sua temperatura durante a atividade física”, publicado na revista Física na Escola v. 9, n. 2, 2008. O texto é assinado pelas próprias alunas – Fernanda Luz, Marina Azevedo e Raíza Oliveira – e por Roberto Pimentel, professor de física do CAp-UFRJ.

EVIDÊNCIA EXPERIMENTAL A RESPEITO DE EVAPORAÇÃO DE BURACOS NEGROS


Físico apresenta evidência experimental de que buracos negros evaporam

Bill Unruh, da Universidade da Columbia Britânica, no Canadá, apresentou seus resultados durante o Encontro de Física 2011, realizado em Foz do Iguaçu
galex-20060823-browseO físico britânico Stephen Hawking ficou famoso ao prever que os buracos negros não são completamente negros, mas aparentemente emitem diminutas quantidades de radiação e, ao longo de trilhões de anos, acabam evaporando. Ocorre que, segundo essa previsão, a energia das partículas é tão baixa que é praticamente impossível detectá-las no espaço. Como então confirmar a hipótese?

Pois Bill Unruh, pesquisador da Universidade da Columbia Britânica, em Vancouver, no Canadá, descobriu um meio. Ele criou um análogo sonoro de um buraco negro (que apelidou de "buraco mudo") e verificou, em laboratório, que ele emite radiação térmica da mesma maneira que se esperaria do objeto astrofísico.
Os buracos negros de verdade só podem ser encontrados nas profundezas do espaço. Resultado da implosão de estrelas gigantes, eles são objetos tão compactados que, a partir de uma dada distância, nada pode escapar de seu campo gravitacional – nem mesmo a luz. Daí o nome que receberam.

Já os "buracos mudos" de Unruh são apenas uma versão análoga do fenômeno. Em vez de pensar numa situação em que nem a luz consegue escapar, eles trabalham com o som. Como as ondas sonoras viajam a uma velocidade bem inferior à da luz, fica muito mais fácil reproduzir condições em terra que impeçam sua propagação.

Unruh já havia demonstrado teoricamente que as equações que regem a propagação de ondas em fluidos, nessas circunstâncias, espelham de forma impressionante o que ocorre nos buracos negros de verdade, conforme o fenômeno descrito por Stephen Hawking.

Evaporação
Em 1974, Hawking sugeriu que os buracos negros não eram completamente invisíveis, mas emitiam uma pequena dose de radiação ao longo do tempo. Ocorre que o nível dessa radiação era muito baixo. "Coisa de 10-6 Kelvin, para um buraco negro com uma massa solar", diz Unruh. "É muito, muito fria, muito difícil de ver."

Assim, trata-se de algo que não tem qualquer comprovação experimental ou observacional.

O experimento

Depois de passar alguns anos refinando seu conceito de buraco mudo, Unruh, que é teórico de formação, resolveu se aventurar pelo lado experimental, projetando, com alguns colegas, o primeiro teste da existência da radiação Hawking.

Para isso, o grupo criou um tanque com água corrente, com uma lombada no meio. Essa irregularidade faz com que o fluxo de água se acelere, de forma a compensar a velocidade das ondas geradas artificialmente. Se a água corre para um lado na mesma velocidade que a onda se propaga para o outro, as duas se cancelam, e cria-se o "buraco mudo".

Para medir a propagação das ondas com exatidão, eles usaram um laser que ajudava a visualizá-las, enquanto registravam o experimento com uma câmera. "Pudemos medir a superfície da água com uma resolução de 0,2 milímetros", diz Unruh.

E o resultado observado foi compatível com uma emissão térmica de radiação, exatamente como Hawking previra para os buracos negros de verdade.

Confiabilidade

Em sua apresentação do trabalho, publicado no prestigioso periódico científico "Physical Review Letters", Unruh foi categórico: "Essa é a primeira observação direta da radiação Hawking". Mas quanto da analogia dos buracos mudos pode ser traduzida para os buracos negros de verdade?

O pesquisador admite que há diversos aspectos que não possuem correspondência. "Não quero ressuscitar a teoria do éter, supondo que há um fluido correndo pelo buraco negro que explique a emissão da radiação", diz.

Entretanto, o fato de o mesmo fenômeno se manifestar num experimento análogo mostra que há uma robustez na previsão original. "Acho que já é o suficiente, por exemplo, para termos convicção absoluta de que, se o LHC [Large Hadron Collider, grande acelerador de partículas europeu] criar miniburacos negros, eles não engolirão a Terra, mas evaporarão em fração de segundo, emitindo radiação."

O ESTUDO
Measurement of stimulated Hawking emission in an analogue system
http://arxiv.org/abs/1008.1911 


CONTATOS
William Unruh (University of British Columbia, Canadá)
Tel: 1 (604) 822-3273
E-mail: unruh@physics.ubc.ca

Assessoria de comunicação da SBF
Salvador Nogueira
Tel: 0/xx/11 9178-9661
E-mail: comunicaçã o@sbfisica.org.br